mercoledì 7 novembre 2007

A história que se repete

Sex Jan 16, 2004
"A notícia vem no caderno Local Lisboa do PÚBLICO de terça-feira. Alguns comerciantes do Campo Grande espalharam pelas suas lojas sapos de pelúcia e colaram nas montras fotocópias de fotografias coloridas de batráquios. O objectivo destas medidas não é homenagear o conhecido Cocas (que, segundo apurei, afinal é uma rã...), nem relembrar o conto dos irmãos Grimm que metia um sapo que se transformava em príncipe. Não se trata sequer de alguma estranha nostalgia associada à canção "Eu vi um sapo", da pequenita Maria Armanda, que provocou lesões emocionais e auditivas a muita gente da minha geração, ou de qualquer fetiche zoófilo. A explicação é bem mais simples: os comerciantes espalham sapos para afastar dos seus estabelecimentos as "pessoas de etnia cigana" (como agora se diz), uma vez que o povo cigano considera o batráquio um animal agoirento, que traz azar. Ou seja: sapo na loja, cigano na rua. Ora aí está uma coisa de que nunca ninguém se tinha lembrado e que pode ajudar a evitar muitos conflitos sociais. Os comerciantes do Campo Grande são uns visionários. Já viram se a moda pega? Ainda vamos ver lojas por esse país fora com fotografias do louríssimo Roberto Leal pregadas nas portas, com a intenção de manter afastados os negros e outras pessoas de bom gosto. Lá virá o dia em que leões de esferovite serão usados para manter à distância adeptos do Benfica em estabelecimentos seleccionados, ou em que pequenas estatuetas de Pinto da Costa vigiarão "os mouros" que ousarem passear nas ruas do Porto. Já pensaram no poder dissuasor que pode ter uma foto de Manuel Monteiro colada na sede do Largo do Caldas (ou em qualquer outro lado)? Na efígie de Manuela Ferreira Leite à porta dos cinemas? E se alguém se lembrasse de colocar pósteres de George W. Bush nas alfândegas de todos os países civilizados? Eu próprio, que sou muito supersticioso, recuso-me a entrar em cafés que tenham a televisão ligada na TVI, porque acho que a Manuela Moura Guedes me dá azar... Há uma palavra para a atitude dos comerciantes do Campo Grande: intolerância. Intolerância com uma pitadinha de racismo, claro. A história pode ser engraçada, os sapinhos de peluche amorosos e os gestos de discriminação subtis, brandos, quase paternalistas, como manda a tradição do país. Mas, lá no fundo, espreita a feia cabeçorra da discriminação. E essa, meus amigos, é que obriga todas as pessoas de bem a ficarem do lado de fora"[...]
Rui Baptista

Se a malta aqui vem a saber disto....

2 commenti:

menina-alice ha detto...

Eu soube há pouco tempo dessa suposta superstição e do uso que lhe dão algumas pessoas e fiquei estupefacta. A minha Mãe, que adora sapos e vacas e os tem espalhados de forma pouco saudável pela casa (as imagens, entenda-se), tem dois sapos à porta (da rua) e eu fico angustiada de cada vez que olho para os "bibelots". Já considerei pedir-lhe que os tire de lá.

Scarlata ha detto...

Ve as coisa pelo lado positivo, pelo menos nao sao anoes ou andorinhas. >:>>

:DDDD