domenica 1 luglio 2007

Mítico verão

De junho a outubro, em Itália, reinam as festas gastronómicas, uma atrás da outra, nuvens gordurosas pairam sobre os céus de toda a península: é o resultado dos milhares e milhares de Quermesses que nasceram para valorizar os produtos do território.
Quanto à valorização, nada a dizer, conseguem valorizar perfeitamente, visto que se paga três vezes mais caro, o mesmo "stinco di maiale " que se come na tasca da esquina. Tudo isto, não impede que as festas sejam invadidas, literalmente, por tribos inteiras de famílias e de turistas pançudos.

Não obstante estejamos, na Era da Internet e no coração do avançado ocidente, a prespectiva de açambarcar quilos de comida besunta, suscita no "homo technologicus", o mesmo entusiasmo que suscitava no seu antepassado medieval.
A diferença, é que o medieval do ano mil, voltava a passar fome por outros 364 dias, o exemplar do ano dois mil limita-se a meia hora. Tempo necessário para ir buscar o carro e dirigir-se à cidade mais próxima onde tem lugar a festa da tripa e recomeçar...

Florescem, de uma ponta à outra do país, evocações históricas, patrocinadas pelo Discount do Sofá ou o Supermercado do Ladrilho. Quando se trata do Palio de Siena, ainda vai que não vai, é desumano e primitivo, mas cada povo tem o seu tempo de civilização, e para os Seneses desafiar-se a cavalo é já uma conquista, visto que antes da introdução do Palio, as rivalidades entre as "contradas", resolviam-se à facada. O resto, mais de mil palhaçadas medievais, são quase todas fruto da imaginação dos assessores do turismo.

Para finalizar, não há verão se não se elege uma Miss. As feministas deixaram de criticar estes concursos, porque são o único apontamento eleitoral em que os homens votam de boa vontade para candidatar uma mulher. Se durante o verão se tornam obrigatórios, é porque são o meio mais rápido para encher um local.
Os tempos mudaram, antigamente as raparigas participavam às escondidas dos pais, hoje são eles que as mandam ao pontapé, porque no mercado do trabalho um titulo de "Miss Grandes Pêras" vale muito mais que um curso de literatura. Existem modos bem piores de fazer-se à vida, no fundo, para ser eleita Miss basta uma bela presença, uma dose de gentileza e um pouco de educação, basta não arrotar em público. Ou seja, muito mais do que se pretende das concorrentes de um qualquer reality-show.

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